De 11 a 15 de Maio, organizámos com o Climáximo uma semana de ações por saúde, habitação, energia, alimentação e educação; pelo fim às guerras e genocídios; para travar piores catástrofes climáticas; pelo fim a um sistema de destruição.

Segunda Feira

Apoiantes do Climaximo atiraram tinta vermelha à fachada da Thales, empresa parceira da Elbit Systems, uma das principais produtoras de armas usadas no genocício em Gaza, numa ação de protesto contra a crescente militarização da sociedade, e como alerta da urgência de parar o imperialismo fóssil.

Terça Feira

Apoiantes do Climáximo bloquearam a Avenida Almirante Gago Coutinho na entrada para a Rotunda do Areeiro, durante 30 minutos. Seguravam uma faixa com a marcante imagem da A1 destroçada em pedaços pelo “comboio de tempestades” que assolou Portugal. Tinham cartazes com as frases “A Kristin tem culpados”, “22 mortes”, e “mais de 240 mil casas atingidas”.

Quarta feira

Mais de 10 médicos e outros profissionais de saúde pintaram mural desenhado pelo artista Tiago Albuquerque junto à entrada do Hospital Curry Cabral, denotando a crise climática como o “maior desafio das nossa vidas, para o qual temos de lutar se queremos cumprir o nosso papel como profissionais de saúde”.

Quinta feira

Apoiantes do Climáximo entraram no Continente e coletaram bens alimentares e de higiene saindo sem pagar e distribuindo estes bens numa banca junto à Estação de Oriente como forma de protesto contra os lucros das grandes superfícies, e como alerta sobre o impacto da crise climática nos sistemas alimentares. Os bens foram redistribuídos porque “ninguém devia ter que pagar para comer enquanto os ricos lucram como nunca”.

No dia 15 de Maio, sexta-feira, organizámo-nos para protestar nas nossas escolas, para depois nos juntar-mos à concentração em frente à sede do governo para exigir um futuro onde queremos viver e construir o poder necessário para parar quem nos condena.

Após uma semana de ações de “luta pelo futuro”, várias dezenas de estudantes marcharam das escolas António Arroio, Liceu Camões, e Vergílio Ferreira por várias avenidas na cidade de Lisboa em direção à sede do governo, no Campo Pequeno. Durante a marcha, os estudantes ocuparam a Avenida Almirante Reis por meia hora e a rotunda do Areeiro por mais de uma hora com discursos, jogos e palavras de ordem como ” Livro-me de armas, armo-me de livros” ou “fim ao fóssil até 2030”.

Seguiu-se depois uma concentração que contou com com concertos, uma assembleia popular, e palavras de ordem. Assinalou-se ainda a Nakba palestiniana como uma “catástrofe para a Humanidade que continua até hoje e que não podemos aceitar”.

De acordo com Sara Gaspar porta-voz do Climáximo, “as notícias não dão tréguas e os ataques às nossas vidas diárias não páram: as guerras iniciadas por impérios sedentos de petróleo fazem milhares de vítimas inocentes, o genocídio na Palestina continua, enquanto que por cá os preços aumentam, o governo ataca as leis laborais, e os jovens são incentivados a irem para a guerra em nome de uma “democracia”. A tudo isto soma-se a crise climática, que já provocou este ano milhares de mortos e cuja intensidade será apenas aumentada com os conflitos. Eles – os governos, as empresas petrolíferas e de armamento – somam lucros. Nós – as pessoas comuns de todo o mundo – sofremos os impactos. É hora de transformarmos a raiva, impotência e frustração que todos sentimos quando vemos as notícias em luta e ação conjunta para desmantelar este sistema e construir o mundo justo e solidário que queremos”.

José Borges, porta-voz dos Estudantes Pelo Fim ao Fóssil e estudante no Liceu Camões, afirma: “hoje, unimo-nos a muitas dezenas de outros estudantes de várias escolas de Lisboa para encerrar uma semana de luta pelo futuro. Para conseguirmos travar a barbárie e colapso, precisamos do fim aos combustíveis fósseis até 2030 e de transformar este sistema para construir a paz, a justiça e a solidariedade entre povos. Não seremos carne para canhão em guerras que só defendem os interesses das elites. Não aceitaremos viver num mundo destruído pelas petrolíferas. Queremos um futuro, e vamos lutar por ele!”

Como próximos passos anunciados na assembleia, o movimento Fim ao Fóssil apontou para a ida coletiva a várias ações de justiça climática na Europa para fortalecer o movimento “que é internacional”; e uma formação em fim ao fóssil no sábado dia 30 de Maio, aberta a “todos aqueles que querem lutar pelo presente e pelo futuro”; e um acampamento estudantil de “Regresso à Luta” em Setembro. Assinalam ainda que “como sabemos, este Verão será de extremos” e, como tal, estarão nas próximas semanas “repostas rápidas, solidárias e combativas às mais que prováveis ondas de calor e incêndios”, apelando a que quem queira participar “entre em contacto através das redes sociais ou website”.

Se o governo não nos protege, protegemo-nos nós e lutamos umas pelas outras!

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