A sociedade civil uniu-se aos estudantes numa marcha até ao gabinete de representação do Parlamento Europeu em Portugal para denunciar a falta de uma resposta adequada e a conivência por parte da União Europeia ao genocídio em curso em Gaza e à crise climática.


Hoje, dia 8 de junho, véspera de eleições europeias em Portugal, a sociedade civil uniu-se ao movimento estudantil: cerca de duas centenas de pessoas numa marcha liderada pelos estudantes que, nos últimos meses, têm ocupado faculdades e instituições de poder, como o Ministério do Ambiente, o Ministério da Saúde e o Ministério dos Negócios Estrangeiros, para exigir Fim ao Genocídio, Fim ao Fóssil. Os manifestantes encontram-se em frente do gabinete de representação do Parlamento Europeu em Portugal, edifício ao qual atiraram tinta como protesto. Reivindicam o corte de todas as relações das instituições da UE e países europeus com Israel, o fim do uso de combustíveis fósseis até 2030 no norte global e, como primeiro passo para isso, a transição para eletricidade 100% gratuita e renovável em Portugal até ao próximo ano.
“Sabemos que para resolver as crises que temos em mãos é necessária uma resposta sistémica e que a União Europeia tem de ter um papel ativo na solução. Decisores políticos continuam a ignorar aquilo que cientistas dizem há décadas, e se antes era fácil ignorar porque as consequências não se sentiam aqui, agora deixa de ser: no verão de há dois anos, mais de 61 mil pessoas morreram na Europa devido a ondas de calor. Desde aí, as temperaturas batem recordes todos os meses. Isto significa que só vai piorar.”, diz-nos José Borges, porta-voz da manifestação.
Os estudantes recordam que a União Europeia gasta atualmente 359 mil milhões de euros por ano em financiamentos para exploração de combustíveis fósseis, a principal causa do aquecimento registado. Recordam também que a grande maioria dessa exploração é feita em países do Sul Global, muitos deles historicamente colonizados pela Europa, e os que mais sofrem com as alterações climáticas. “A União Europeia financia estas mortes. Este sistema de exploração do sul global, é o mesmo que alimenta o projeto colonial do estado de Israel.”.
“Perante a acusação de genocídio, no Tribunal Internacional de Justiça, levada a cabo pela África do Sul, a União Europeia não só não se posiciona a favor, como defendeu abertamente o estado genocida, apoiando a narrativa da “legítima defesa”. Foram precisos 8 meses e menos 36 000 vidas, para dizer timidamente que a resposta “já se tornou desproporcional”, e mesmo assim ainda só dois países da Europa se juntaram à África do Sul na acusação. Esta instituição está a falhar assustadoramente.”, acrescenta Catarina Bio, também porta-voz no protesto. “E de nada serve enviar fundos monetários para a Palestina se também nós continuamos a perpetuar este sistema de exploração do sul global. Exploração, em grande parte de combustíveis fósseis e, naturalmente, assente no lucro.”
Convocatória
O movimento estudantil Fim ao Genocídio, Fim ao Fóssil, que num contexto de um levantamento estudantil internacional ocupou 4 universidades portuguesas para exigir um fim ao genocídio em Gaza e um fim ao sistema fóssil, convoca toda a sociedade a participar na marcha “Unidas Contra o Colpaso”.
O genocídio na Palestina é a derradeira expressão de um projeto colonial intimamente ligado à indústria fóssil. O controlo e exploração de recursos fósseis são uma das principais causas de grande parte das guerras e genocídios contemporâneos, habitualmente criados ou alimentados pela indústria fóssil. O estado colonial de Israel serve os interesses os da Europa e do lucro. A ocupação da Palestina, com a cumplicidade da comunidade internacional, esteve sempre ligada à exploração de recursos fósseis: desde a exploração de carvão no império britânico à exploração de gás pelo estado sionista. Apenas três semanas após o início do massacre em Gaza, Israel anunciava já novos projetos de exploração de gás fóssil na costa de Gaza, que teriam como destino a Europa.
No genocídio de Gaza, já mais de 35.000 pessoas foram massacradas e mais de 76.000 feridas às mãos do estado de Israel com o apoio das instituições da União Europeia. Neste momento, 1.5 milhões de Palestinianos estão encurralados em Rafah.
Este mesmo sistema, que coloca o lucro acima da vida, é responsável pela crise climática. Se não abandonarmos os combustíveis fósseis nos prazos da ciência e da justiça – até 2030 em Portugal – iremos passar vários pontos de não-retorno que vão selar a morte de centenas de milhões de pessoas. A falta de água, o calor extremo, o colapso das colheitas, e as catástrofes climáticas extremas serão o nosso dia-a-dia.
Enquanto tudo isto acontece, os governos e as instituições europeias que nos deveriam representar ignoram e exacerbam estas crises e mandam-nos estudar para um futuro que não vamos ter, enquanto assistimos ao massacre de milhares de estudantes como nós. Os representantes da Europa estão a escolher condenar o futuro de todos. Perante a sua total inação, resta-nos escalar e agir.
Por tudo isto, convocamos toda a sociedade para se juntar a nós numa marcha combativa, para reivindicar justiça para todos. Vamos marchar até ao Gabinete de Representação do Parlamento Europeu em Portugal, que representa a inação das instituições europeias.
Não podemos dar paz a quem consente com genocídio e com a condenação do nosso futuro. Dia 8 de junho, junta-te ao lado certo da história.
A justiça climática não se concretizará sem justiça para a Palestina. E a vida de todos, de Lisboa a Gaza, depende do fim ao fóssil até 2030.
E nenhum se irá concretizar sem a nossa resistência.
reivindicações
- Corte de todas as relações das instituições da UE e países europeus com Israel
- Fim ao Fóssil até 2030
- Eletricidade 100% gratuita e renovável até 2025.
subscritores:

Movimento Fim ao Genocídio Fim ao Fóssil

PUSP – Plataforma Unitária de Solidariedade com a Palestina

Climáximo

XR (Extinction Rebellion) Portugal

Habita

Stop Despejos

Manas

ClimAção Centro

Alvorada Da Floresta

SOS Quinta dos Ingleses

Movimento Referendo pela Habitação
